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11/02/2015
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Machida: Força e carisma no octógono e na vida

O Dragão de coração paraense, que é ídolo no MMA, se prepara para novos desafios.

Já faz um tempo que Lyoto Machida é conhecido e respeitado mundialmente como um dos maiores nomes do MMA. Em 2009, conquistou o cinturão dos meio-pesados e, hoje, aos 36 anos, está na categoria dos médios, treinando forte para alcançar novas conquistas.

Paraense de coração, com raízes japonesas, o carismático “The Dragon” também é um exemplo a ser seguido de bom filho, pai, marido, empresário e de homem muito focado, persistente e vitorioso. Machida é um exemplo de sucesso!

Como é a rotina de um atleta como você, durante o período de preparação para uma luta?
Lyoto: Começo os treinos em um período de três meses antes de cada luta, o chamado “camp”. São oito horas diárias, todos os dias, com foco na preparação do condicionamento físico. Também tenho uma alimentação balanceada.

Você tem uma imagem de bom moço, muito ligado à sua família. Qual a influência que ela tem nessa sua rotina?
Lyoto: Minha família é algo fundamental na minha vida e carreira. Estou sempre na companhia dos meus filhos e da minha mulher. Eles vêm em primeiro lugar sempre.

Você não venceu o desafio contra Chris Weidman, apesar da boa performance. O que você acha que poderia ter mudado nesta luta?
Lyoto: O aprendizado com as lutas vem com o tempo. Não tem como eu dizer que errei aqui ou ali, pois errei em alguns momentos, mas acertei em outros. Esse aprendizado ocorre de acordo com a experiência, de como me sinto no momento em que estou lutando. Somente na próxima luta vou poder saber o que posso fazer de diferente, para não errar mais.

Qual o próximo passo, já tem algum novo desafio marcado, uma nova disputa de cinturão?
Lyoto: Vou continuar na categoria dos Médios enfrentando atletas de elite. Quero fazer pelo menos mais uma luta em 2014. Há a possibilidade de enfrentar o Luke Rockhold ou o CB Dollaway, mas ainda não é certo (Lyoto venceu a luta contra CB Dollaway, no dia 20 de dezembro, no Ginásio José Corrêa, em Barueri). Minha prioridade é lutar contra atletas que estão no top 10 da categoria, até porque são estes tipos de luta que podem me credenciar a lutar novamente pelo cinturão. Não quero apenas lutar por lutar. Meu foco e minha motivação são sempre lutar pelo cinturão.

Além do atleta, existe o Lyoto empresário. Quais os tipos de empreendimentos você está envolvido? Você atua diretamente neles?
Lyoto: Sou sócio da Academia Machida, em Belém. Na verdade, eu entrei na vida empresarial mais como um investidor, pois no dia a dia são os outros sócios que administram. No futuro penso em me envolver mais na academia, mas hoje meu foco está nas lutas e no trabalho como palestrante, me dedico muito a isto. Leio bastante para poder associar as situações de vida para que eu possa relacionar e ajudar um pouco mais de acordo com o público que estou falando. Atualmente, meu foco são as biografias. Já li várias, pois nas palestras procuro fazer um trabalho de motivação.

Você já tem noção até quando vai continuar competindo?
Lyoto: categoria dos médios e pretendo seguir com os muitos combates que vêm pela frente, que são muitos. Não penso em me aposentar por enquanto.

Quando esse momento chegar, você pensa em se dedicar a quais atividades?
Lyoto: É difícil dizer o que eu vou fazer futuramente. Gosto muito de falar, conversar e talvez eu consiga unir o útil ao agradável, como já ocorre com as palestras. Mas se isso realmente acontecer, será naturalmente.

O que você curte fora das lutas? Na música, literatura, artes, outros esportes? Você tem algum hobby?
Lyoto: Gosto de aproveitar minha família, pois a companhia dela vem sempre em primeiro lugar. Adoro sair para jantar com minha esposa e meus filhos. Mas também gosto muito de viajar e de ir à praia.

Você pensa em voltar a morar no Brasil, em Belém? Existe essa possibilidade?
Lyoto: Eu amo Belém. Sinto muita saudade de algumas coisas como ver o pôr do sol na Casa das Onze Janelas, caminhar no Complexo Feliz Lusitânia, experimentar a gastronomia paraense. Mas estou focado nos treinos e no momento não penso em voltar a morar em Belém. A vida no Brasil é muito corrida, principalmente nas grandes capitais. Por isso, se eu voltar um dia, tem que ser uma coisa diferente, tipo uma cidade tranquila no interior.

Como é a sua relação com seus filhos? Eles demonstram interesse pelos esportes ou artes marciais? Você os incentiva?
Lyoto: Não gosto de impor minha vontade aos nossos dois meninos. Caso eles queiram um dia seguir a carreira de lutador, de MMA, será por vontade própria. Não pretendo interferir em qual carreira vão seguir.

Ainda planeja mais filhos?
Lyoto: Não, não, minha fábrica já está fechada (risos). Tenho dois filhos maravilhosos (Taiyô e Kaitô) que já me dão muita alegria e felicidade.

Quais os principais cuidados que você tem com a saúde e seu preparo físico?
Lyoto: e não haja problemas de bater o peso nos médios. Como muitas frutas, principalmente açaí, macarrão integral e proteínas, quase tudo com quase nada de sal. Treino também vários estilos de luta e o condicionamento físico, além de yoga.

Naquele momento de tensão, qual a melhor maneira de relaxar?
Lyoto: Eu gosto muito de ler e praticar outros esportes também. Às vezes eu faço surf e até Slackline. Mas não faço nada que possa me colocar em risco. O futebol, por exemplo, eu tive que abandonar, pois tenho medo de me machucar. Outro dia, fomos para uma estação de neve esquiar e eu não quis ir, para não correr qualquer tipo de risco.

O que é ser feliz para Lyoto Machida?
Lyoto: do aquilo que eu gosto, desde o momento que acordo. Não posso pensar em me dedicar somente à luta. Meu pai me ensinou que temos que ser 50% de seriedade e 50% de descontração (risos). Hoje eu tenho um dia tranquilo. Vou à academia, sinto o clima… Isso tudo me faz feliz.

Existem poucos caratecas de destaque no MMA. Qual o diferencial de quem tem esta arte marcial como base?
Lyoto: A base é sempre importante na carreira de um lutador, e ela pode fazer toda a diferença. Eu, por exemplo, venho de uma família japonesa com tradição no caratê, que é minha coluna vertebral e definiu meu estilo de luta. Meu pai, Yoshizo Machida, nasceu no Japão e é um dos maiores mestres do caratê no Brasil. Aprendi outras artes quando fui levado ao Japão, além do muay thai e outras técnicas. Com toda esta base, posso me adequar a qualquer outro lutador.

Sua família desenvolveu um caratê próprio, o Machida Karate. Qual a diferença dele para o tradicional?
Lyoto: O Machida Karate é um retorno às raízes do caratê. Como eu e meus irmãos nos envolvemos no MMA, nós começamos a estudar como levar ainda mais combatividade ao caratê ensinado em nossa família há mais de 30 anos. Com a orientação do meu pai, nós resgatamos uma série de movimentos e golpes não utilizados mais, como cotoveladas, joelhadas, chaves, entre outros. E assim moldamos o Machida Karate, que a gente vem aplicando nos combates.

Você foi campeão dos meio-pesados e mudou de categoria; agora está nos médios. O que motivou esta troca?
Lyoto: tegoria sempre esteve ali, até por conta do meu peso. A possibilidade existia e eu tive vontade de experimentar. Tive uma ótima adaptação e esta experiência tem sido ótima. Esta troca me deu muitas outras opções de lutas.

Você também treinou Sumô, Jiu-jitsu, Muay Thai, na Tailândia e Wrestling, no Japão… Como cada um destes aprendizados entraram na sua vida?
Lyoto: Eu olho a arte marcial com uma visão mais crítica, pois considero como algo mais abrangente. Eu não consigo olhar a arte marcial ligada somente à competição. Como eu queria ser um lutador preparado para tudo, eu fui em busca destas experiências para aprender sempre um pouco mais.

Quais as características principais que um atleta vencedor, como você, deve ter?
Lyoto: Há três características que considero imprescindível para um lutador. A calma, que nos faz analisar o melhor momento do ataque e esperar por ele, ajuda a não dar o passo maior que deve. A potência, quando o lutador ataca tem que ir com tudo, aproveitando o momento para dar o soco ou o chute, pois pode ser a oportunidade de um nocaute. E por fim, a resistência, pois às vezes o lutador tem técnica, mas não é resistente, o que é essencial. A vitória pode não ocorrer rápido, por isso a importância da resistência, já que o lutador deve aguentar até o fim do combate.

 

lyoto-montagem

*Entrevista retirada da primeira edição da Revista Beneficente de Belém.

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